Vazamento de conversas

     Ex-secretária financeira de condomínio fala sobre conversas vazadas após WhatsApp ser aberto em computador ligado à administração

Vítima teve arquivos após logar conta do WhatsApp em notebook de terceiros — Foto: Reprodução/Fantástico

     Áudios e recortes de capturas de tela de conversas privadas da vítima foram divulgados em um perfil falso criado para essa finalidade. Caso foi investigado e desencadeou uma operação da Polícia Civil do Piauí.

     A arquiteta Jorgianne Carvalho, ex-secretária financeira de um condomínio de luxo em Teresina, falou com exclusividade à TV Clube, nessa quinta-feira (20), sobre os arquivos vazados da sua conta de WhatsApp após ela ter sido invadida em um computador ligado à administração do condomínio.

"A minha vida foi devastada. Hoje estou com um diagnóstico, tomando medicação. E não foi só a minha vida, foi a vida dos meus pais, do meu marido, dos meus filhos, de vizinhos. As pessoas tem que pensar até que ponto podem ir na invasão da privacidade. Não é assim", desabafou.

     Jorgianne Carvalho contou que tudo aconteceu após ela assumido a secretaria financeira do condomínio. "Quando a gente chegou lá se deparou com três milhões de dívidas. Uma das formas que a gente formulou para diminuir esses gastos foi na demissão dos funcionários", disse.

     "A partir daí, todos eles já ficaram sabendo disso, que a gente iria se organizar. A gerente entrou de férias. Eu precisava ficar fazendo os pagamentos do condomínio e acabei deixando meu WhatsApp aberto no computador da gerência", completou.

     "Quando ela voltou, pegou o computador, levou pra casa e pegou todas as conversas, áudios, fotos, vídeos, tudo, toda a minha vida pessoal, familiar, profissional, tudo do meu WhatsApp. Minha vida toda foi invadida", relatou a ex-secretária financeira.

     Conversas privadas da arquiteta foram divulgadas, em forma de áudios e recortes de capturas de tela, em um perfil falso criado para essa finalidade. Jorgianne Carvalho acabou procurando a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), da Polícia Civil do Piauí.

     Operação policial

     A delegacia especializada investigou o ocorrido e o caso foi parar na Justiça, que expediu mandados de busca e apreensão, cumpridos durante a Operação Intruso, na quarta (19).

     Ao todo, foram cinco ordens em imóveis situados na capital, em Parnaíba e em Timon (MA), município vizinho a Teresina. Foram cumpridas ainda aplicações de medidas cautelares diversas da prisão.

     Segundo as investigações, os investigados invadiram o WhatsApp Web da vítima e divulgaram conteúdo privado. A prática configura crime de Invasão de Dispositivo Informático Majorado, da chamada Lei Carolina Dieckmann, e pode resultar na pena de reclusão de dois a cinco anos.

     Procurada pela TV Clube, a defesa dos investigados, um grupo de ex-funcionários do condomínio, afirmou que há um processo de assédio moral contra a administração da qual Jorgianne fazia parte e nega que eles tenham invadido redes sociais ou equipamento de terceiros.

     "Eu estava descrente da Justiça, não vou mentir, mas eu tenho fé que os culpados vão ser punidos, vão pagar, vão se responsabilizar por tudo que fizeram", declarou Jorgianne Carvalho.

A arquiteta recomendou que as pessoas tenham cuidado ao acessarem contas em outros dispositivos. "Tomem mais cuidado quando forem ligar o WhatsApp no computador de qualquer pessoa, até no seu, porque às vezes você esquece em outro lugar e outra pessoa vai e pega", disse.

     "A gente não sabe aonde vai o caráter das pessoas. Então tomem cuidado, não deixem aberto, não falem tudo por lá, não coloquem senhas de banco, porque eles poderiam ter pego minhas senhas. E não tenham medo, vão à delegacia, façam Boletim de Ocorrência", completou Jorgianne Carvalho.

    Fonte: G1 Piauí

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