inteligência emocional (2)

     Recentemente, observei o que seria o início de um conflito em um condomínio curitibano classe média, com mais de 200 unidades, que me fez refletir sobre o quanto nosso julgamento pode estar contaminado pela forma obtusa de ver o mundo, e por generalizações que fomentam discussões que poderiam ser evitadas pela relação empática. A história aconteceu mais ou menos assim:

     No grupo de WhatsApp, um morador alertou que as crianças estavam mexendo nas pedras da jardinagem, deixando-as no entorno e dentro da fonte de água do espaço de convívio/lazer. Além disso, alguns brinquedos da brinquedoteca estavam sendo utilizados fora do espaço. Essas crianças seriam convidadas de um evento que acontecia no salão de festas do condomínio.

     Isso foi o suficiente para que as pedras começassem dentro do grupo de WhatsApp. Alguns moradores reclamando que isso sempre acontece, que o anfitrião da festa deveria ser punido, que não seria permitido o uso do espaço, uma vez que a locação abrangia apenas ao salão de festas, e não a área de convívio. Emojis de raiva, carinhas assustadas e indignadas tomaram conta da tela do celular.

     À noite, a pessoa que utilizou o salão de festas leu todas aquelas mensagens e certamente se sentiu mais apedrejada que a fonte de água. Então, com muita educação, explicou: “A festa de hoje foi do meu filho, que é autista. Pela primeira vez pudemos comemorar o aniversário dele entre amigos da terapia, que também são autistas (…)”. E então continuou o relato mencionando que as pedras haviam sido recolhidas, os brinquedos da brinquedoteca igualmente e que, se houvesse algum tipo de prejuízo/dano, ela estaria à disposição e certamente se responsabilizaria pela questão.

     Imediatamente o grupo foi bombardeado de mensagens de solidariedade e compreensão, corações, carinhas tristes e muita vergonha. Por quê? O que geralmente pode ser considerado uma atitude rude ou egoísta, quando recebe uma explicação plausível para o comportamento, tende a gerar empatia, de modo que as pessoas vejam além das ações superficiais e considerem o contexto mais amplo, gerando uma certa flexibilidade e tolerância.

     Não estou aqui defendendo um conceito de que as regras possam ser descumpridas deliberadamente, pois todos teriam seus motivos para fundamentar as infrações. Nada disso. O condomínio viraria uma anarquia e o direito de uso coletivo e propriedade seria altamente prejudicado se cada um fizesse o que bem entendesse.

     O ponto é que no condomínio, no trânsito, no trabalho e em relações interpessoais em geral, a abertura para tentar entender o contexto e considerar que diversas variáveis podem influenciar as ações cotidianas das pessoas contribui para que o julgamento e o conflito deem lugar à compreensão e, consequentemente, proporcione pensar em alternativas de contornar os desafios e a ter tolerância.

     Viver em condomínio é desafiador. Viver em sociedade, igualmente. Sei que a interpretação do que seria uma “explicação plausível” para cada ato é muito subjetiva e depende no nível de tolerância de cada um. A questão é que estamos cada vez mais intransigentes e imediatistas, e isso não leva a lugar algum. Exercitar a inteligência emocional é fundamental para o próprio bem-estar. E que atire a primeira pedra quem nunca errou.

     Fonte: Viva o Condomínio 

Saiba mais…

   

 A inteligência emocional pode ajudar um síndico a lidar com os conflitos e desafios do condomínio e manter a sua gestão eficiente. Entenda mais neste artigo!

Marketing é razão ou emoção?

     A gestão condominial pode ser uma tarefa desafiadora, especialmente quando se trata de lidar com diferentes personalidades e emoções dos moradores do condomínio. Por isso, é importante que o síndico tenha a habilidade de inteligência emocional para lidar com as situações estressantes e manter a harmonia no condomínio.

     A seguir, vamos discutir como a inteligência emocional pode ajudar na gestão condominial e como lidar com o estresse de forma eficaz. Continue lendo!

   O que é inteligência emocional?

     A inteligência emocional é a capacidade de reconhecer e gerenciar as próprias emoções e as dos outros.

     Ela envolve habilidades como a empatia, a autorregulação emocional, a motivação e a comunicação efetiva. Por exemplo:

     Uma pessoa que sabe usar a sua inteligência emocional pode reconhecer quando está se sentindo estressada e encontrar maneiras saudáveis de lidar com esse sentimento. Ela também pode perceber quando outra pessoa está passando por um momento difícil e utilizar estratégias para encorajar, apoiar ou acalmá-la.

     A inteligência emocional pode ajudar a melhorar a comunicação, reduzir conflitos e estresse, aumentar a empatia e a compaixão e promover um senso de bem-estar geral.

   Como a inteligência emocional pode ajudar a controlar o estresse da gestão condominial

     A inteligência emocional pode ser uma ferramenta muito útil para ajudar os síndicos a controlar o estresse e a pressão da gestão. Veja como ela pode ajudar nesse aspecto:

  • Autoconhecimento: O primeiro passo para gerenciar o estresse é entender as suas próprias emoções e como elas afetam o seu comportamento. Com o autoconhecimento, você pode identificar os gatilhos que desencadeiam o estresse e trabalhar para reduzi-los;
  • Regulação emocional: A inteligência emocional também envolve a capacidade de regular as suas emoções. Isso significa que você pode aprender a controlar a sua resposta emocional ao estresse e evitar reações exageradas ou prejudiciais;
  • Empatia: Desenvolver empatia significa ser capaz de compreender as emoções dos outros. Isso é importante na gestão condominial, pois os gestores lidam com uma variedade de pessoas e situações estressantes. Ao entender as emoções dos outros, você pode responder de maneira mais eficaz e reduzir o estresse;
  • Comunicação eficaz: A inteligência emocional também envolve a capacidade de se comunicar de forma clara e eficaz. Ao aprender a se comunicar melhor, você pode evitar conflitos desnecessários e reduzir o estresse;
  • Resolução de problemas: Por fim, a inteligência emocional também pode ajudá-lo a desenvolver habilidades de resolução de problemas. Ao aprender a lidar com situações estressantes de maneira construtiva, você pode reduzir o impacto do estresse na sua vida pessoal e profissional.

    8 principais causas do estresse na gestão condominial

     O primeiro passo para lidar com o estresse da rotina de síndico, é identificar a origem dos problemas. Veja:

     Conflitos entre os moradores

     Entre as várias questões que podem causar estresse ao síndico, os conflitos entre moradores são um dos mais comuns.

     Seja por barulho excessivo, uso inadequado das áreas comuns ou problemas com animais de estimação, esses conflitos podem tornar a vida em condomínio bastante desconfortável e atrapalhar o trabalho do gestor.

     Uma conversa franca pode ajudar a encontrar uma solução que funcione para todos. No entanto, se a conversa direta não resolver o problema, é hora de buscar ajuda profissional, como os serviços de conciliação.

    A conciliação é uma ótima opção para conflitos que ameaçam se tornar legais, como disputas sobre propriedade ou danos à propriedade.

     O síndico não precisa resolver tudo sozinho e procurar ajuda externa não é sinônimo de uma gestão falha.

     Confusões nas reuniões de assembleia

     As últimas notícias do mercado condominial têm mostrado cada vez mais confusões durante as reuniões de assembleia. Muitas vezes, os moradores têm opiniões divergentes e não conseguem chegar a um consenso, o que pode levar a discussões acaloradas e até mesmo brigas.

     Além disso, a falta de organização pode tornar as reuniões ainda mais confusas.

     Se não houver uma pauta clara e bem definida, é possível que os moradores comecem a discutir assuntos que não são relevantes para a reunião, o que pode prolongar a duração da reunião e deixar o síndico ainda mais estressado.

     Para lidar com as confusões nas reuniões de assembleia, o síndico pode adotar algumas estratégias.

     Uma delas é estabelecer regras claras para a reunião, como tempo limite para cada fala e ordem de apresentação dos assuntos na pauta.

     Também é importante que o síndico mantenha a calma e a imparcialidade durante a reunião, agindo como mediador entre os moradores. Se necessário, ele pode suspender a reunião por alguns minutos para acalmar os ânimos e retomar a discussão de maneira mais produtiva.

     Gestão financeira

     Os problemas financeiros são uma das causas de estresse mais comuns na gestão condominial. Essa preocupação constante com o dinheiro do condomínio e com o nível de inadimplência da comunidade, pode afetar a saúde física e mental do síndico.

     Nestes casos, é muito comum que o síndico fique tão preocupado com os números, que acabe adquirindo um cansaço excessivo, insônia e, em alguns casos, até mesmo depressão e ansiedade.

     Por isso, é importante que o síndico utilize a sua inteligência emocional para equilibrar as necessidades do condomínio com as limitações financeiras, gerenciar as cobranças e garantir que os recursos existentes sejam utilizados de maneira eficiente.

     Uma administradora digital é uma solução que pode ajudar neste processo e diminuir a carga de trabalho do síndico.

     Obras e manutenções

     Manter o condomínio em boas condições é uma tarefa constante e muitas vezes cara.

     Problemas como vazamentos, falhas elétricas, problemas com elevadores e outros podem surgir a qualquer momento e exigir uma solução rápida do síndico.

     Por isso, esta tarefa pode se tornar estressante para o gestor, já que ele precisa sempre estar atento às manutenções periódicas e agir rapidamente em caso de manutenções emergenciais.

     Em todo caso, o ideal é criar um calendário e manter a organização das manutenções em dia, evitando demandas de última hora.

     Sobrecarga de trabalho

     Quando pensamos em um síndico, geralmente, a imagem que vem à cabeça é a de um senhor trabalhando em uma mesa lotada de papéis, estresse e dor de cabeça.Infelizmente, esta imagem é mais comum do que gostaríamos.

     E isso ocorre, principalmente, por conta da sobrecarga de trabalho exigida ao síndico, que precisa ligar com muitas tarefas e atribuições de última hora, mesmo fora do horário de expediente.

     O resultado disso é um síndico que não sabe dizer “não” e acaba colocando em risco a sua saúde e a qualidade do trabalho, em prol da realização das tarefas.

     A solução nestes casos é determinar os limites das suas atribuições como síndico, manter a comunicação clara com os moradores, evitar centralizar as demandas no WhatsApp e passar a delegar mais as suas funções.

   5 práticas diárias para aumentar a sua inteligência emocional

    Um síndico com alta inteligência emocional é capaz de lidar com conflitos, tomar decisões e liderar de forma mais eficaz. Veja cinco práticas que podem ser adotadas diariamente para aumentar sua inteligência emocional.

     Autoconhecimento

     Um síndico deve estar ciente das suas próprias emoções e como elas afetam o seu comportamento e decisões. É importante reservar alguns minutos do dia para refletir sobre os seus pensamentos.

     Para isso, pode ser útil manter um diário emocional para registrar essas reflexões e identificar padrões em seu comportamento emocional ou fazer terapia com um profissional.

     Empatia

     Um síndico deve ser capaz de entender e se colocar no lugar dos outros. Isso envolve ouvir ativamente, prestar atenção às emoções e demonstrar compaixão. Uma maneira de praticar a empatia é fazer perguntas abertas e ouvir atentamente as respostas. Também é importante reconhecer as emoções dos outros e responder de forma apropriada.

     Comunicação

     A comunicação é fundamental para um síndico eficaz e envolve mais do que apenas transmitir informações. Um síndico com alta inteligência emocional é capaz de comunicar de forma clara e concisa, enquanto também é sensível às emoções dos outros. É importante lembrar que a comunicação é uma via de mão dupla e que o síndico deve estar disposto a ouvir e responder às preocupações dos moradores.

     Gerenciamento de estresse

     Um síndico com alta inteligência emocional é capaz de gerenciar o estresse diário de forma eficaz. É importante identificar os gatilhos de estresse e desenvolver estratégias para lidar com eles. Isso pode incluir exercícios de respiração, meditação ou outras atividades relaxantes.

     Flexibilidade

     Um síndico com alta inteligência emocional é capaz de se adaptar às mudanças e lidar com situações imprevistas de forma eficaz. É importante ser flexível e estar disposto a considerar diferentes perspectivas. Isso pode envolver ser aberto a novas ideias ou mudar de rumo quando necessário.

     Adotar essas práticas diárias pode ajudar um síndico a aumentar a sua inteligência emocional e se tornar um líder mais eficaz. No entanto, caso seja necessário, é importante procurar ajuda externa, como um psicólogo, para auxiliar a sua rotina.

      Fonte: Townsq

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